Se os olhos são a janela da alma, os da câmera são as janelas dos olhos de quem vê: o fotógrafo.
É ele quem despe (ou distorce) uma realidade, tornando-a sua e de quem mais interpretar.
É como um Código de Ética essa dupla responsabilidade do olhar, porque toda análise passa então
a depender do ângulo em que está sendo observada.
O fotógrafo + documentarista + produtor + editor ("tudo-ao-mesmo-tempo-e-agora" para abranger com
facilidade áreas que já se esbarram no dia-a-dia) Leo Bittencourt tem consciência desse dever e, durante
os seus quase vinte anos de atuação, procura ver com transparência através dos olhos de sua câmera,
o que não é nada fácil. É buscar o sorriso sincero, a mão sedenta, o beijo de despedida, o gesto flagrado
e o passo certo de dança.
E o resultado é um trabalho que busca, utilizando técnicas sempre atuais - até porque em duas décadas
as coisas mudam bastante - marcar presença, tornar-se notório. No mínimo, exímio.

Priscilla Domingues